sábado, 28 de janeiro de 2012

Momento Filosofia Barata:

"Quando alguém opta por viver sobre o pedestal da excessiva autoimportância e, consequentemente, da prepotência, esse alguém perde amigos e ganha bajuladores. Em outros termos, ele troca a franqueza e a autoconsciência de si existentes no (s) amigo (s) pelas fraqueza e menoridade (racional) existentes no (s) bajulador (es)."

                                                                                     Dinho, eu mesmo - 01/2012

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Uma crônica para se pensar um pouco

Eu, Sociedade Brasileira, e minhas educações

Olá, meu caro leitor! Meu nome é Sociedade e eu gostaria de falar um pouquinho sobre a minha pessoa. Sim, considero-me como uma pessoa, pois sou exatamente como tal, inclusive no que diz respeito às minhas crises existenciais.
Como sei que você é um ser que não se atém muito a colocações e relatos prolixos, não pormenorizarei a minha autocomparação, de modo que me limitarei a dizer que, assim como você é composto de corpo, mente e espírito, sou composto, análoga e respectivamente, de economia, ideologia e política; tríade esta que faz de mim uma entidade dividida em, no mínimo, três classes, a baixa, a média e a alta. E esta minha composição está diretamente ligada ao maior dos meus problemas (“problema” segundo você mesmo e as demais pessoas, meu caro leitor), que é a Educação. Aliás, já não falarei mais de mim mesma como um todo, mas tão e somente dessa minha criação.
Ora, ocorre que, como tudo o que é vivo, eu comecei bem pequena, tal qual uma família. E, obviamente, a minha existência incipiente era muito mais fácil e harmoniosa, visto que eu não carecia de tantos fatos e processos dos quais necessito hoje. Porém, fui crescendo, aumentando o meu número de células – das quais você é uma –, e me transformando em um complexo cada vez maior, tornando-me cada vez mais complicada; precisando, inclusive, de um adjetivo como sobrenome, que é “brasileira” – Sociedade Brasileira. Assim sendo, não há outra forma de eu cuidar da minha própria existência senão mantendo a ordem entre o meu corpo, a minha mente e meu espírito; de modo que um trabalha, o outro organiza e comanda o trabalho, e o último idealiza e cria as condições e situações para que eu continue existindo.
Agora, meu caro leitor, responda-me. Você crê que minha existência seria possível, se minhas células fossem todas iguais e em todos os sentidos? Veja, meu caro, são justamente as diferenças que fazem a perfeição, e esta está sempre para ser alcançada através das tentativas de superação das primeiras por parte de cada uma das minhas células; compreende? Por fim, digo que todas têm, por natureza, o direito de se acomodar em qualquer uma das minhas três dimensões; mas devo me autocontrolar para que elas não se tornem totalmente iguais, migrando para apenas uma dimensão e eu entre em colapso. Para tanto, eu preciso mantê-las separadas em grupos e subgrupos, nutrindo-as de acordo com o grupo e dimensão da qual fazem parte. Essa nutrição, finalmente, é a Educação. Então, ado, a-ado, meu caro leitor! Cada qual no seu quadrado!
Portanto, meu caro, e como sei que você já está se cansando de me ler, resumamos o meu blá-blá-blá da seguinte forma: dou uma certa educação para as células que DEVEM trabalhar e me alimentar – a básica necessária para que desempenhem seus afazeres; e uma educação mais, digamos, diferenciada para as células que organizam e comandam minhas necessidades e trabalhos, e para as que idealizam e criam as situações e condições para que eu possa continuar existindo; de modo que até mesmo a segunda educação será subdividida em graus de relevância – mas deixemos isso de lado.
Para finalizar, meu leitor, digo que se você, como uma célula social que é, quiser sair da dimensão e, consequentemente, da classe nas quais se encontra, e isso somente lhe será interessante se estiver na dimensão do meu corpo “físico”, deverá preparar o terreno para suas crias; pois você mesmo jamais o conseguirá, a menos que por uma obra excepcional do destino. É isso e BOA SORTE, meu amigo!
 (Dinho, eu mesmo - 10/2011)

domingo, 18 de setembro de 2011

(Sem título)

Entrego-me a ti
Como a terra sedenta que se deixa embeber pelas chuvas esparsas
Mergulho-me em ti
Como a própria terra que em si se afunda a procura das águas em suas próprias profundezas

                                     Sou eu a terra que a chuva aguarda
                                     Enquanto és tu o dilúvio que me aplaca a sede

E sou eu ninguém
Esperando teu ser para que eu possa ser


                                   E então serei a própria perfeição
                                  Já que estarás em mim e seremos apenas um


(Dinho, eu mesmo - 09/2011)
 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

À rosa mais bela que já avistei

Uma Rosa

Por várias e longas estações,
                Quedou-se vazio o meu terreno.
                                   Não houve ali as tentações
                                                     Que o tirassem do estado sereno.



Agora, neste nosso inverno,
               Surgem em minhas terras ramos lindos...
                                  Trazendo ao mundo o que era interno,
                                                         Tornaram-se eternos os tempos findos.



E qual terreno, senão meu peito,
                        Será o mártir que agora respira,
                                          Ao sentir o perfume perfeito
                                                         Da linda rosa a que ele aspira?




(Dinho, eu mesmo - 08/2011)


sábado, 13 de agosto de 2011

À solidão



Um olhar, um contento;
Uma palavra, um alento.

Um desprezo, um tormento;
Um afago, renascimento.



(Dinho, eu mesmo - 08/2011)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Homenagem a um objeto da vida

A livre

Serei teus olhos,
Pernas e braços,
Teus poros.

Serei teus prantos
E encantos,
Teus espantos.

Serei teu alívio,
Teu suplício,
Teu viver.

Serei um alguém,
Um você,
Ou um qualquer.

Serei teu homem,
Uma filha,
Tua mulher.

Serei coisa fácil,
E moleza,
E carne dura.

Serei ora ágil,
Ora complicado.

Mas do mundo,
Comigo, terás
Múltipla leitura.
Porque sou o livre.


Dinho, eu mesmo - 08/2011



terça-feira, 5 de julho de 2011

Poemas e poetas

Rimas internas com temas eternos:
          A Arte impera em nosso inferno.

                     Arte com "A" maiúsculo:
                             Almas que não tem músculo,
                                        E que incidem como crepúsculo
                                                              No obscuro claro do céu.


E qual nosso será o papel
Para quem com através do véu     
Não visa a gama de mel                         
Existente no sujo chão?                                        


Planamos neste orfeão
Desafinando os fatos de cão,
E sentindo o mundo então
Como um não qualquer comum

E tantos entre somos um,
Que o mundo vê como em zum,
E que o exibe através dos eus,
Como se fôssemos nós o próprio Deus...




(Dinho, eu mesmo -07/2006)