domingo, 18 de setembro de 2011

(Sem título)

Entrego-me a ti
Como a terra sedenta que se deixa embeber pelas chuvas esparsas
Mergulho-me em ti
Como a própria terra que em si se afunda a procura das águas em suas próprias profundezas

                                     Sou eu a terra que a chuva aguarda
                                     Enquanto és tu o dilúvio que me aplaca a sede

E sou eu ninguém
Esperando teu ser para que eu possa ser


                                   E então serei a própria perfeição
                                  Já que estarás em mim e seremos apenas um


(Dinho, eu mesmo - 09/2011)
 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

À rosa mais bela que já avistei

Uma Rosa

Por várias e longas estações,
                Quedou-se vazio o meu terreno.
                                   Não houve ali as tentações
                                                     Que o tirassem do estado sereno.



Agora, neste nosso inverno,
               Surgem em minhas terras ramos lindos...
                                  Trazendo ao mundo o que era interno,
                                                         Tornaram-se eternos os tempos findos.



E qual terreno, senão meu peito,
                        Será o mártir que agora respira,
                                          Ao sentir o perfume perfeito
                                                         Da linda rosa a que ele aspira?




(Dinho, eu mesmo - 08/2011)


sábado, 13 de agosto de 2011

À solidão



Um olhar, um contento;
Uma palavra, um alento.

Um desprezo, um tormento;
Um afago, renascimento.



(Dinho, eu mesmo - 08/2011)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Homenagem a um objeto da vida

A livre

Serei teus olhos,
Pernas e braços,
Teus poros.

Serei teus prantos
E encantos,
Teus espantos.

Serei teu alívio,
Teu suplício,
Teu viver.

Serei um alguém,
Um você,
Ou um qualquer.

Serei teu homem,
Uma filha,
Tua mulher.

Serei coisa fácil,
E moleza,
E carne dura.

Serei ora ágil,
Ora complicado.

Mas do mundo,
Comigo, terás
Múltipla leitura.
Porque sou o livre.


Dinho, eu mesmo - 08/2011



terça-feira, 5 de julho de 2011

Poemas e poetas

Rimas internas com temas eternos:
          A Arte impera em nosso inferno.

                     Arte com "A" maiúsculo:
                             Almas que não tem músculo,
                                        E que incidem como crepúsculo
                                                              No obscuro claro do céu.


E qual nosso será o papel
Para quem com através do véu     
Não visa a gama de mel                         
Existente no sujo chão?                                        


Planamos neste orfeão
Desafinando os fatos de cão,
E sentindo o mundo então
Como um não qualquer comum

E tantos entre somos um,
Que o mundo vê como em zum,
E que o exibe através dos eus,
Como se fôssemos nós o próprio Deus...




(Dinho, eu mesmo -07/2006)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Humano: tridimensionalmente desequilibrado

Ser humano é trifásico!
(Permitam-me aqui o trocadilho,
já que, com o artigo, o sentido seria básico.)
Mas nenhuma delas lhe dará trilho.


                   Pois é preciso que se resumam suas três fases num só terreno.
                                                   Ser bicho, ser deus e ser gente;
                                                   Ser alegre, ser triste e sereno.
                  Isso posto sob equilíbrio, será o homem um bom agente.


E em tudo mesmo o humano é três:
Espírito, corpo e mente;
Amizade, convenção e leis;
É ferível, é pensante e é crente.

E por que não consegue o humano a temperança?
Ou é um, ou é outro, ou ainda o terceiro;
Mas nunca a síntese da esperança.
Sempre fugitivo, sempre omisso, ou sempre guerreiro.

Manhã, noite, tarde;
            Criança, adulto, adolescente.
                                     Cada qual com seu alarde,
                                                        Cada qual com seu (tempo) presente.

O humano é criança, pois dota-se de inocência;
                           É também adulto, pois se acha um todo consciente.           
Porém é mais adolescente, com sua pseudoconsciência                      
E seu falso ar de inocente.                                                                                      






quinta-feira, 9 de junho de 2011

O castigo segundo os avós

Lembram-se  da grande chuva,
                De águas potentes e turvas,
                           Que num tempo a nós precedente
                                       Findou os podres e seus coniventes?


Limpado de tudo o que havia de imundo,
Límpido e pleno tornou-se o mundo.
Apenas um bom e seus seguidores,
Dignos de piedade, viveram em flores.


Também se salvaram os pobres irracionais.
Do grilo ao elefante, formaram-se casais.
E ao fim de algum tempo, o sinal da Oliveira:
A água fora cessada, e eles viveram uma vida inteira.


        Isso é um aviso, porque vivemos de enganos.
Mentiras e improvisos mantêm os seres humanos                
Naquele tempo era outra vida, outro jogo.                                             
Agora tudo é diferente: ao invés de água, virá fogo.                                                





Dinho, eu mesmo. 06/2011