sexta-feira, 19 de julho de 2013



Porque sou humano

Não há erro na vida que não se conserte.
Não há acerto no mundo que não se corrompa.
Não há certeza no ser que não se quebre.
Não há insegurança que não se rompa.

Embora tudo seja efêmero,
Toda efemeridade pode ser eterna.
Embora minhas verdades sejam enfermas,
Minhas inverdades nunca serão mais firmes.

Complexo? Não, não é...
Compreende-se menos pelo que se lê
Do que pelo que se sente...

E o que sinto?
Sinto que estou a consertar um erro na vida;
Sinto que estou a evitar a corrupção do meu acerto;
Sinto que estou a evitar que minha certeza se quebre;
Sinto que estou a romper a minha insegurança.

Sinto ainda que longa será esta passagem;
Que esta fase será eternizada;
Que minhas verdades serão sanadas;
Que minhas inverdades jamais terão alicerce...

Simples? Não, não é...
Complica-se mais pelo que se sente
Do que pelo que se lê...




(Dinho, eu mesmo - 07/2013)




























































































































terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Altos e baixos da solidão



Altas árvores ornamentam minha área
Altos muros circundam minha casa
Altos, os pássaros encantam o meu encanto
Altos, seus cantos ecoam em meus cantos

Baixas são minhas plantas e minhas gramas
Baixas são minhas conversas com meus cães e gatos
Baixos são minha atenção e apreço para com o lá fora
Baixo – e muito baixo! –  é meu tédio em meu sossego...



(Dinho, eu mesmo - 01/2013)

Existência...?



Embora não se possa confiar no futuro,
                       Porque este é sempre imprevisível,
                                               Sou eternamente sonhador;
Sou desejoso e não durmo sem antes fantasiar uma vida inexistente...


Embora não se possa ressuscitar o passado,
Porque este não volta senão na forma de dejavú 
(com ilusões nossas ou alguém vivendo – assim cremos – o que um dia vivemos),
Sou eternamente nostálgico; olho sempre para trás,  a resgatar minha inocente infância e torná-la infinta.


Embora não se possa evitar o presente,
Senão por meio da autossupressão da vida,
Estou sempre tentando um hiato entre o que já se foi e o que pode não vir;
Estou efetivamente vagando entre dois tempos longínquos, mas sem por os pés na era que a eles me une.


Sou nostálgico sonhador,

                   Mas também sou um sonhador nostálgico.

                                         No entanto, evito e sempre o que agora me existe...

(Dinho, eu mesmo - 09/2008)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Para pensarmos um pouco

Nem sempre um coração em paz implica um homem pacífico. 
Pois se sua consciência não discerne o que é alteridade,
Seu peito esquerdo não repousará sob outro estado senão o de paz.



Dinho, eu mesmo  - 10/2011 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Binóculos

Tenho meus óculos sobre a estante
E tenho meus olhos sobre a poltrona.
Estes daqueles não saem um instante,
Pondo meu eu à imagem matrona.


                                  Por eles sou o que sou: um normal:
                                  Que não pode a vida sem suas lentes;
                                  Que não pode ser vivo sem canal;
                                  Que não pode excetuar-se das gentes...


                                              Tenho meus olhos e tenho meus óculos,
                                              E, através deles, um mundo feliz,
                                              Até que alguém me ofereça binóculos.


                                                                Então revejo tudo o que não fiz,
                                                                E meus regalos em tão falsos rótulos.
                                                                Agora, veja, sou louça... sou de giz...




(Dinho, eu mesmo - 05/2009)
                                                 

sábado, 20 de outubro de 2012




CONSCIÊNCIA NEGRA!?

Minha consciência não é negra nem parda!
Minha consciência não é gorda nem magra!
Minha consciência não é turva nem pálida!
Minha consciência não é nula nem válida!

Mas tão uma quanto o branco a todas as cores
E tão plural quanto o próprio cosmos.

Pois então, meus claros amigos
– claros, mas de obscuros instintos –,
Seria a minha consciência, em quaisquer jazigos,
Identificável por elementos distintos?

Não fez o Demiurgo um só tipo de peixe;
Não fez ele ainda um só tipo de ave;
Você, com sua consciência (in) color, que se feche!
Que não se abra com a consciência racial como chave.

Sim, sou racialmente distinto de vocês,
Mas tão e somente para compor a humanidade.
Não sou desumano por ser negro ou escocês;
E, por fim, minha origem não é minha dignidade.

(...).

Dinho, eu mesmo – 10/2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012



Madrugada...

Senhora dos sonos profundos,
Matrona dos sonhos profusos...
Que adjetiva homens confusos,
Por seus próprios males difusos,
Como seres donos dos mundos,

Fazei com que neles a paz
– Esta que tanto nos apraz –
Embale seus dias a mais.
E que fique assim para trás,
Não voltando à tona jamais,
Seus atos de vida audaz.

Nobre Madrugada...
Clareie dos homens a consciência,
Tornando-a pura inocência,
Tal qual na criança está em vigência
E que na fase adulta é tão deturpada.

Nobre Madrugada...
Eis o singelo pedido que faço:
Regule do homem cada passo,
Para do mundo que cada espaço
Não tenha o viver escasso,
E não seja a humanidade por ela mesma subjugada...

Dinho, eu mesmo - 09/2012